Mamães para-atletas
As Paralimpíadas Rio 2016 contribuíram para um novo olhar sobre os paralímpicos, suas dificuldades e sobretudo, suas conquistas! Dos 287 atletas, 102 são
mulheres, além de 23 (acompanhantes (atletas-guia, calheiros e goleiros). E dentre elas, há mamães que também mostraram sua determinação durante os jogos.
Fernanda Sant Ana Prazeres, 35 anos, mãe do lindo Miguel (1 ano e meio),
tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), Sabrina Lage, 37
anos, mãe da graciosa Catharina Rosa (8 meses), e Ana Paula de Souza Marra, 34
anos, mãe da fofura Julia (3 meses), têm deficiência auditiva. Cada uma dessas
mães tem um tipo de deficiência, mas assim como outras mamães, como as atletas
paralímpicas do Rio 2016, são portadoras da mesma história: de superação.
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| Sabrina e a fofa Catharina |
Elas fazem parte do universo de 25,8 milhões de mulheres no Brasil (Censo IBGE 2010),
ou 26,5% da população feminina, que ainda hoje enfrentam preconceitos, mas não
se intimidam frente aos desafios. São mulheres de garra, que não estiveram nos
estádios olímpicos para competir uma dentre as mais de 25 modalidades, mas
correm uma maratona cotidiana para vencer até seus próprios medos.
Nesta corrida, a maternidade apareceu para lhes atribuir uma força maior à adaptação à condição de ser mãe e a descoberta do instinto materno. A cada choro ou movimento do bebê, um olhar diferenciado surge. A reorganização mental e o sentimento instintivo tornam-se imediatos. É como conta a funcionária pública Sabrina, “um dos meus maiores temores como mãe surda é não saber identificar os diferentes sons de choro da minha filha. Choro de fome, de dor, de querer ser acolhida... Quando a Catharina tinha um mês e meio começou a chorar muito. Evacuava muito, se contorcia toda e golfava fortemente. Só fui saber que era diarréia, dias depois. Era um sofrimento vê-la assim sem ter o que fazer, a não ser dar muito colo e peito”.
Nesta corrida, a maternidade apareceu para lhes atribuir uma força maior à adaptação à condição de ser mãe e a descoberta do instinto materno. A cada choro ou movimento do bebê, um olhar diferenciado surge. A reorganização mental e o sentimento instintivo tornam-se imediatos. É como conta a funcionária pública Sabrina, “um dos meus maiores temores como mãe surda é não saber identificar os diferentes sons de choro da minha filha. Choro de fome, de dor, de querer ser acolhida... Quando a Catharina tinha um mês e meio começou a chorar muito. Evacuava muito, se contorcia toda e golfava fortemente. Só fui saber que era diarréia, dias depois. Era um sofrimento vê-la assim sem ter o que fazer, a não ser dar muito colo e peito”.
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| Ana Paula e a esperta Julia |
Esta preocupação é recorrente das mães com algum tipo de deficiência. Assim como os técnicos e jogadores nos jogos paralímpicos, elas também buscam alternativas e estratégias para encarar as adversidades. “Graças a Deus a tática tem dado super certo! Às vezes acho que depois que ela nasceu estou até ouvindo um pouco melhor. (risos) Na verdade não estou ouvindo melhor. É meu instinto materno que sabe quando meu bebê precisa de mim”, brinca.
Além do instinto materno, Sabrina adotou outras formas de reconhecimento e aos poucos foi identificando as necessidades da Catharina pelas expressões faciais, pelo tipo de movimento da boca e da língua. “Comecei a compreendê-la pelo choro que passou a ser uma forma da gente se comunicar”, diz.
Neste time de campeãs, a bancária Fernanda também está no pódio, pela fé e perseverança que a maternidade lhe conferiu. Sua AME, de origem genética, caracteriza-se pela atrofia muscular secundária à degeneração de neurônios motores (há fraqueza nos músculos, dificuldades de deglutição e respiratórias), o que a empurrou para uma cadeira de rodas. Entretanto, a doença não a derrubou. Após dez anos de casada com o servidor público federal Luís Eduardo, também portador de deficiência, decidiu ter um bebê. Ela aponta que o amadurecimento foi importante para tomar esta decisão.
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| Fernanda e o sapeca Miguel |
“Após terminar a faculdade, curtirmos a vida a dois, com viagens, etc, nos preparamos para sermos pais. Não sou uma cadeirante qualquer. Também não tenho força nos braços. Dependo de alguém pra tudo. Quando o Miguel nasceu, saudável e lindo, foi a melhor experiência da minha vida, mas ao mesmo tempo a mais difícil. Foi complicado pegar ele no colo. Estava muito fraca. Não tinha força para amamentá-lo. Ele não pegava o peito. Mas não desisti. Meu marido segurava um braço, minha mãe o outro e com muita luta deu certo. Depois amamentei deitada, o que facilitou bastante pra nós”, partilha.
Chegar ao pódio
Entre um caminho e outro, as “para-mães” vão ultrapassando barreiras físicas assim como nas Paralimpíadas, para chegarem mais próximas ao pódio da maternidade, ao vencer os desafios, com a ajuda de familiares e amigos. As limitações se tornaram menores do que são. “Sei que tenho que conviver com algumas dificuldades, as quais tento superar a cada dia. Ainda estou em busca da melhor forma de cuidar da minha filha. Estou superando minhas dificuldades diárias pelo bem estar dela. Estou sendo simplesmente mãe. Ainda me preocupo em como ela vai lidar com isso. Mas acredito que aos poucos vamos nos adaptando e tudo vai dar certo”, resigna Ana Paula.
Entre um caminho e outro, as “para-mães” vão ultrapassando barreiras físicas assim como nas Paralimpíadas, para chegarem mais próximas ao pódio da maternidade, ao vencer os desafios, com a ajuda de familiares e amigos. As limitações se tornaram menores do que são. “Sei que tenho que conviver com algumas dificuldades, as quais tento superar a cada dia. Ainda estou em busca da melhor forma de cuidar da minha filha. Estou superando minhas dificuldades diárias pelo bem estar dela. Estou sendo simplesmente mãe. Ainda me preocupo em como ela vai lidar com isso. Mas acredito que aos poucos vamos nos adaptando e tudo vai dar certo”, resigna Ana Paula.
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| O apoio da família, sobretudo, do marido, é muito importante |
Aliás, este ânimo e o bom humor é visível nestas mamães. Suas experiências
compartilhadas aqui se entrelaçam com as histórias de superação das mães que
participaram dos 11 dias das Paralimpíadas Rio 2016, vislumbrando um novo
horizonte, de esperanças e superações advindas com o tempo e que servem como
exemplo para outras mulheres. Elas nos mostram que acreditar em si, em um Deus (ter
fé) e lutar pela vida é sinônimo de vitória. Assim, nota-se que não há limites para
o amor de mãe. E o atletismo é feito com o coração.





Muito orgulho da minha prima Fernanda. Exemplo se de força e superação! Te amo, linda!
ResponderExcluirLuana